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NOTÍCIA

SMCC RECEBE CIRURGIÃO RESPONSÁVEL PELA PESQUISA INOVADORA DO USO DA PELE DE TILÁPIA EM QUEIMADURAS

13/04/2018
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Em reunião extraordinária do Departamento de Cirurgia Plástica nesta quinta-feira, 12/04, esteve na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas o Médico Dr. Edmar Maciel, cirurgião plástico coordenador da fase clínica da promissora pesquisa sobre o uso da pele de Tilápia para tratamento de queimaduras pelo Instituto José Frota (IJF), de Fortaleza (CE).
 
A pesquisa brasileira é mundialmente conhecida e tem sido observada por proporcionar uma opção com maior eficiência, rapidez e menor custo aos tratamentos de queimaduras.
 
O trabalho já foi apresentado em 33 países, em 12 idiomas. Nesta semana a equipe do Dr. Edmar recebe representantes da Suíça e Alemanha para conhecer os resultados.
 
O estudo conta com 125 colaboradores e já é cogitado para aplicação em outras especialidades. A pesquisa está sendo conduzida em São Paulo, Pernambuco, Goiás e Pará. A pele da tilápia já foi usada em 60 pacientes com idades entre dois até 70 anos.
 
Dr. Edmar Maciel comentou sua vinda à Campinas para a reunião na SMCC. “É muito importante nossa vinda à Sociedade de Medicina por que sabemos que Campinas é um local universitário, de ensino, tem várias sociedades e serviços e ligas de cirurgias plásticas, então é importante não somente para apresentar a pesquisa, mas incentivar os novos a fazer pesquisa de boa qualidade”.
 
Extramente semelhante a pele humana em quantidade de colágeno, em grau de resistência a tração e umidade, a alternativa é importantíssima para o Sistema de Saúde na opinião do médico Dr. Flavio Nadruz Novaes, que foi moderador do encontro na SMCC e, é o responsável pelo Centro de Queimados em Campinas. “Levantamos há uma semana que havia apenas no Brasil um metro e meio quadrado de pele humana para uso em transplantes. Se for o caso de uma queimadura extensa essa quantidade supriria praticamente um único paciente. Então, entendemos que a obtenção de pele humana para transplante é fantástica, mas o custo é muito mais elevado do que o da pele de tilápia. Quando estiver disponível vai universalizar a oportunidade e muito mais pacientes poderão ser tratados do que hoje com as regras rígidas do Sistema Nacional de Transplante”, comentou o médico.
 
 
Números
 
Em um único preparo a pele de tilápia rende 1,2 mil unidades, cada unidade tem 15 centímetros. O que resulta em aproximadamente 83 mil centímetros quadrados de pele prontas para aplicação. Enquanto a pele pele humana demora 60 dias para ser preparada para transplantes, a de tilápia demora 20 dias.
 
Só existem quatro bancos disponíveis apenas no Sul e Sudeste. O próprio Ministério da Saúde indicou a necessidade de 14. A atual reserva supre menos de 1% da necessidade. Com isso, o Brasil é carente em substitutos temporários da pele e curativos biológicos, além de ter uma defasagem de uns 60 anos no uso de pele no tratamento segundo os especialistas.
 
 
Atendimento regional
 
O coordenador do Departamento de Cirurgia Plástica da SMCC, o médico Dr. Juliano Pereira, comentou que na região de Campinas existem apenas dois serviços especializados para queimados. Uma unidade na cidade de Limeira e outra em Campinas, no Hospital Irmãos Penteado.
 
“É um projeto piloto que pode ser implantado na nossa região metropolitana. A afeição de uma queimadura deixa o paciente e a família muito desistabilizados e desenvolver tecnologia na cirurgia plástica reparadora dentro da nossa Sociedade é importante para  bem estar biopsicosocial. A Sociedade de Medicina mais uma vez se mostra como um centro polarizador de tecnologia que sempre foi uma das marcas da entidade. Essa tecnologia que diminui custos de tratamento e recupera esta perda futura da pele é muito importante e ter entre nós uma autoridade do tema que vem divulgando mundialmente o trabalho é uma honra muito grande”.
 
 
O projeto Tilápia
 
O projeto foi idealizado pelo cirurgião plástico Marcelo Borges, coordenador do SOS Queimaduras e Feridas do Hospital São Marcos, em Recife, e promete substituir as trocas de curativos no tratamento de queimaduras. A atual técnica causa dor e desconforto ao paciente, necessidade de administração de analgésicos e anestésicos, aumentando trabalho da equipe e, dos custos.
 
Dr. Edmar Maciel comentou a respeito da primeira fase da pesquisa ainda pouco conhecida para a SMCC. “No começo era muito difícil explicar para o paciente que você ía colocar uma pele de peixe nele. Eles perguntavam se ía sair com cheiro de pele, como ficariam as escamas e se ía apodrecer ou não. Hoje os pacientes já chegam no Centro dizendo que querem participar e colocar a pele”. 
 
A pele de Tilápia passa por um processo de esterilização inicial, depois são enviadas para São Paulo, ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) da Universidade de São Paulo (USP), onde passa por uma radioesterilização, procedimento que elimina possíveis vírus e garante a segurança do produto. Quando voltam para o banco de pele do estudo, após cerca de 20 dias, as peles são refrigeradas, e podem ser usadas por até dois anos.
 

A Anvisa ainda trabalha com a liberação do método para a comercialização. Tramites que devem demorar de 18 a 24 meses. 

 

 

 

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